Como construir softwares com acessibilidade

Por que é importante criar softwares com acessibilidade? Você já tentou falar com uma pessoa estrangeira que não entende o seu idioma e o diálogo não saiu do “hello”? Pois bem, fazer pessoas com necessidades especiais navegarem por plataformas sem acessibilidade é mais ou menos essa experiência. Ninguém acaba entendendo nada.  

Além de uma questão positiva para a agenda ESG, construir softwares com acessibilidade também garante a comunicação com distintos consumidores que podem ser excluídos da pipeline de vendas se o projeto não estiver alinhado com as necessidades deles. E veja que no mundo, cerca de 15% da população mundial tem algum tipo de deficiência, de acordo com relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, temos mais de 17 milhões de pessoas nessas condições. 

Criar uma plataforma digital e não dar acessibilidade para esse público é como construir um shopping sem elevadores, escadas rolantes, rampas e pisos táteis. Para evitar esse constrangimento, o ideal é já pensar na acessibilidade do software no pontapé do projeto. Mas aí vem aquelas vozes do contra: “Ah! Mas esse tipo de desenvolvimento vai custar caro”, ou “Esse passo a mais vai atrasar muito o projeto”.

Ao longo deste artigo, desconstruirmos esses e outros mitos de que moldar softwares com acessibilidade é um processo caro, demorado e pode não dar certo. Confira!

Por que investir em softwares com acessibilidade?

Garantir o acesso à informação é um direito de todos. Ao criar um serviço ou um produto que se comunica apenas com o “usuário comum”, você está barrando a circulação de dados para todos. Acho que você nunca pensou nessa perspectiva, certo?

Agora que você entende a dimensão da questão, que tal discutirmos o valor marginal de incluir componentes de acessibilidade no seu projeto digital?  

Segundo pesquisas, quando o projeto já nasce com a ideia de ser acessível a todos, a inclusão de itens para fazer isso acontecer aumenta apenas 5% a mais no valor total do software. E com essa clareza já no início do projeto, não acarretará a demora do projeto. O atraso só se dará se, no meio do desenvolvimento, for solicitado para que a acessibilidade seja incluída.

Agora que você já sabe que o desenvolvimento de softwares com acessibilidade não é caro nem demorado, vamos aos benefícios de apostar neles!

Sua empresa pode ter um impacto social mensurável e um retorno saudável do investimento se você fornecer acesso igual aos seus produtos digitais. A acessibilidade pode:

  • Impulsionar a inovação: recursos de acessibilidade em produtos e serviços podem resolver problemas imprevistos.
  • Aprimorar sua marca: os esforços de diversidade e inclusão são acelerados com um claro compromisso com a acessibilidade.
  • Ampliar o alcance de mercado: o mercado global de pessoas com deficiência é superior a 2 bilhões de pessoas com um poder de compra de mais de US$ 6 trilhões – imagina o prejuízo ao excluí-los
  • Minimizar os riscos legais: muitos países têm leis e padrões de conformidade que exigem acessibilidade digital. Quando a acessibilidade faz parte do planejamento estratégico, é mais fácil de cumprir com as obrigações legais.

Como criar um software acessível a todos?

A maioria dos softwares atualmente fazem pouco para resolver as necessidades de acessibilidade e inclusão daqueles que não são os “usuários comuns”. Mas, como observado no tópico anterior, garantir o acesso a todos, pode ser um golaço de letra para a sua organização.  

Nesse sentido, separamos aqui algumas dicas para você usar na condução dos seus trabalhos com sua equipe tech para melhorar a acessibilidade do seu software.

Aqui vão algumas sugestões preparatória:

Envolva a organização e o time

Parte dos problemas de projetos está na falta de diálogo entre os envolvidos. Em desenvolvimento de softwares com acessibilidade não é diferente.

Portanto, deixe claro para seu time e para a alta liderança da empresa quais são os objetivos e desafios de se desenvolver softwares para pessoas com deficiência. Ajude-os a entender o potencial do mercado e os benefícios para todos os usuários ao avançar nessa pauta.

Diversifique sua equipe

Se você está desenvolvendo pensando em acessibilidade, que tal pensar fora da caixa e contratar desenvolvedores ou designers com deficiência?

Você também pode adotar outras medidas como aumentar a pesquisa de usuários, com foco para pessoas com deficiência ou contratar um consultor especializado em software com acessibilidade.

Agora, vamos deixar aqui algumas recomendações técnicas de como conduzir o processo rumo a pluralidade do uso de softwares e de websites:

Use títulos corretamente

Os usuários podem usar a estrutura de títulos para navegar pelo conteúdo. Ao usar títulos (<h1>, <h2>, etc.) de forma correta e estratégica, o conteúdo do seu site será bem-organizado e facilmente interpretado pelos leitores de tela.

Certifique-se de seguir a ordem correta dos títulos e separar a apresentação da estrutura usando CSS. Não escolha um cabeçalho apenas porque parece bom visualmente (o que pode confundir os usuários); em vez disso, crie uma classe CSS para estilizar seu texto.

Inclua altag

O texto alternativo (altag), descrevendo em palavras o que está sendo visto, deve ser fornecido para que os usuários cegos possam entender a mensagem transmitida. Isso é especialmente importante para imagens informativas como infográficos.

Ao criar o texto alternativo, ele deve conter a mensagem que você deseja transmitir por meio dessa imagem e, se a imagem incluir texto, esse texto também deve ser incluído no alt.

Use cores com cuidado

A forma mais comum de deficiência de cor (o daltonismo), que atinge 8% da população mundial, incapacita pessoas a distinguir os tons de cores, principalmente o verde e o vermelho.

Usar, portanto, somente cores como essas — especialmente para indicar campos obrigatórios em um formulário — impedirá que essas pessoas entendam sua mensagem.

Existem várias ferramentas que você pode usar para avaliar o contraste de cores, o que o ajudará a tornar sua página o mais visualmente acessível para pessoas com baixa visão ou níveis variados de daltonismo.

Navegabilidade pelo teclado

Usuários com deficiências de mobilidade, incluindo lesões por esforço repetitivo, podem não conseguir usar um mouse ou trackpad. Essas pessoas podem acessar o conteúdo por meio do uso de um teclado pressionando as teclas “tab” ou “seta”, ou por meio do uso de dispositivos de entrada alternativos.

Como resultado, a ordem de tabulação deve corresponder à ordem visual, para que os usuários de teclado possam navegar logicamente pelo conteúdo do site.

Responsividade

Não se preocupar com a responsividade do site, como é conhecido o redirecionamento de telas de um computador, notebook e mobile, também é um pecado capital.

Garantir a responsividade, utilizando tamanhos relativos, quebras de linha e outras práticas sobre a temática contribuem também para acessibilidade.Conheça mais sobre outros desafios que envolvem a produção de softwares.